E hoje mais um dia passou, mais uma página foi preenchida com pequenos detalhes, uns mais importantes que outros, mais um misto de sentimentos sem explicação.
Sinto saudades, saudades de ser livre, de ser feliz, de ser ingénua, saudades de ser eu sem preocupações, sem querer agradar ao mundo dia após dia, sinto saudades daquilo que era e não sou mais...
Os dias passam, os meses passam, os anos passam e só se sente cada vez mais rotina, mais pressão , mais medo, menos energia, menos força, menos vontade.
Por vezes pensamos que quando temos algo isso nos vai fazer felizes, que nos vai transformar no melhor que podemos ser, que nos vai dar força e vontade para viver, para ser bons e felizes. Na realidade nem sempre é assim, com o passar do tempo tudo se transforma, assim como nós o resto também muda, e por vezes a nossa mudança ou dessa outra coisa têm consequências menos positivas do que esperávamos.
É lindo, delicioso, apaixonante, completamente incrível o início quando tudo está à flor da pele, quando ainda à um mundo por descobrir, quando ainda tudo é uma aventura e quando nos sentimos seguros, quando sabemos que fizemos a nossa escolha assim como a outra coisa. É bonito não posso negar.
Mas chega uma altura em que perdemos as rédeas, em que pequenos promenores descarrilam, em que encontramos uma banana no caminho e escorregamos, chega uma altura em que não sabemos mais onde cabemos, onde é o nosso sitio, em que nos perdemos num labirinto repleto de quimeras inquietações.
É viver sem viver, é sobreviver. É querer seguir o caminho mas não haver coragem, força nem determinação, é tudo e ao mesmo tempo não é nada, é ser e não ser. É ter medo de arriscar, medo que o caminho seguinte tenha demasiadas barreiras, medo de não ser bom, medo de falhar, medo dessa solidão, medo do mal, medo de mim, medo das coisas, medo da vida e das suas indecisões impiedosas.