Não sei o que se passa comigo para que de cada vez que tento escrever, chegue ao fim do primeiro parágrafo e apague tudo o que escrevi. Sinto que a cada parágrafo que apago, apago também uma parte da minha vida, mas no meio de tanto que já vivi nunca soube que parte estava a apagar. Isso representa um pouco aquilo que tenho feito com a minha vida, aquilo que arrisco, aquilo por que luto e que depois largo como se não acreditasse em mim, como se não acreditasse que tinha/tenho forças para continuar. A cada parágrafo que apago, mais interiorizo que não há mais palavras que formem um texto, não há mais forças para continuar as lutas, estava perdida, completamente sem respostas, sem ideias, sem teorias, sem argumentos.
Estava com problemas - hoje sei. Estava a deixar que os problemas me controlassem por não ter aproveitado o meu tempo e os ter controlado. Tomei tudo o que sabia como garantido e não especulei sobre algo mais que poderia haver para saber. Estava tudo dentro de mim e, as respostas estiveram sempre lá, dentro e fora de mim, mas eu não as vi nem as senti, porque escolhi tudo aquilo que quis fazer, mas quanto às consequências que depois caíram sobre mim, eu não podia fazer nada.
"Escolhi aquilo que plantei, mas quanto ao que colhi, isso foi a oferta que a vida me deu."
Houve uma parte de mim, uma parte fraca e sem puder, que sempre de certa forma me avisou sobre aquilo que poderia vir a acontecer, mas eu nunca quis ouvir essa pequena parte por haverem partes maiores que falavam mais alto e com uma voz mais forte. Pois bem, nem tudo aquilo que pensamos saber é verdade, nem tudo aquilo que achamos que são ilusões são mentiras ou enganos. Às vezes surpreendemos e somos surpreendidos....
Não é grave que eu tenha estado encurralada mais uma vez num labirinto, mas é grave que esse labirinto onde eu me encurralei seja o labirinto que eu própria criei. Não posso dizer que não vai voltar a acontecer, não posso dizer que esta tenha sido a última vez que preferi fechar os olhos e deixar-me levar pela palavra “certeza”, mas uma coisa sei: aprendi mais uma vez. Sim, é certo que este não foi um erro novo, mas de certa forma foi diferente de todos os outros porque me conseguiu ensinar coisas novas.
Voltei a escrever, voltei a encontrar-me, voltei a saber quem sou. Voltei a redescobrir a melhor forma de me acalmar, a melhor forma de escrever, a melhor forma de me encontrar, a melhor forma de saber quem sou. Deixei de estar somente viva e voltei a viver. Desta vez com mais força, desta vez com mais intensidade e mais valor à vida. Às vezes sinto que não sei bem se estou a agir de acordo com a forma como penso e volto a entrar neste ciclo que insiste em não terminar, mas há sempre algo novo que aprendo e tudo vale a pena porque quando volto a este lugar em que sinto que sei o que posso escrever, tudo parece único e cheio de esperança.
Há certas coisas na vida que nos mudam, que nos fazem crescer e que nos alertam para coisas que podem vir a acontecer. Já cresci, já mudei, já aprendi, mas também já recuei em mim enquanto que o tempo avançou. Todos os dias aprendo uma coisa nova, todos os dias argumentos e teorias giram á volta da minha cabeça, todos os dias os ponteiros dos relógios dão voltas tal como as voltas que também a Terra dá. Já eu muitas vezes ocupo o lugar do sol, crente de que não me falta luz e que haverá sempre alguém que gire em torno de mim, mas pareço esquecer-me de que também existem nuvens que podem levar-me para a ignorância e para a escuridão. Foi o que me aconteceu.
Agi de forma oposta à forma que deveria ter agido e ter aprendido não é desculpa para o que aconteceu. Volto a dizer: não é grave ter-me perdido até porque me reencontrei, mas quem me garante que um dia não me perderei no meio do tufão dos meus pensamentos e não me consigo encontrar mais? O presente é uma dádiva e é nele que tenho de me concentrar. Em tão pouco tempo passaram-se tantas coisas… dia após dia sinto que há um novo 'eu' a formar-se algures dentro de mim. Quero esse 'eu'. Esse eu é perfeito para mim porque é exatamente como quero ser. Esse eu sabe que vale a pena lutar e que as lutas não são só com armas, com cravos ou com palavras… também há lutas que são feitas de forma oposta às lutas habituais. O meu 'eu' que ainda não me pertence sabe lutar com sorrisos, e vence quase sempre porque espalha positivismo e paz em todo o lado onde não os há..
A vida não está facil, nunca esteve, nem vai estar, falta-me algo para me completar, algo que ainda não encontrei, uma coisa unica, que me irá fazer sorrir em vez de chorar, quero que essa coisa apareça, quero poder sorrir, sorrir todos os dias, com um sorriso espontaneo... vou continuar a minha caminhada, á procura do que me irá completar, á procura do meu principe..

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