Digo, com toda a certeza, que não se ama uma pessoa “por causa de”, mas
sim “apesar de”. Gostar do que é gostável é fácil, qualquer pessoa admira a
gentileza, o bom humor, a inteligência, a simpatia (…) que as pessoas apresentam
na hora em que se conhecem. É certo, que tudo isto leva a uma necessidade de
conquistar a pessoa em causa, que é detentora de tantos predicados. Os defeitos,
esses ficam guardadinhos nos primeiros dias
e só então, com a convivência, vão saindo do esconderijo e revelando-se no
dia-a-dia. E esses seres que aparentemente são gentis, bem-humorados,
inteligentes, simpáticos (…), afinal não são assim tão perfeitos, ao ponto de
serem verificadas uma quantidade relevante de defeitos e atitudes menos
correctas! Ele deixa a casa desarrumada, ela é péssima cozinheira. Ele é
teimoso, ela gasta dinheiro incessantemente. Ele irrita-se quando a sua equipa
perde, ela desmorona quando é criticada. Ele tem medo de alturas, ela tem medo
de tempestades. Ele chega atrasado, ela nunca está pronta. Ele é muito ciumento,
ela é muito distraída. Ele não gosta de ler, ela não gosta de sair. Ele dorme
até tarde, ela tem insónias. E quando tudo isto vem ao de cima, com as verdades
divulgadas e os defeitos não mais escondidos, verifica-se o que era o AMOR
VERDADEIRO, capaz de lutar até ao fim e alcançar o impossível, e o que não
passava de um MERO PASSATEMPO, que depressa passa à história e estará pronto
para um novo recomeço.
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